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Em um mundo cada vez mais urbanizado, sistemas de mobilidade eficazes são fundamentais para o bom funcionamento e o desenvolvimento sustentável das grandes metrópoles. Uma infraestrutura integrada conecta pessoas, trabalhadores, indústrias e ideias, além de fornecer uma base sólida para o crescimento econômico. Dessa forma, as cidades que investem na melhoria constante e na diversificação de seus meios de transporte hoje têm uma grande vantagem competitiva. 

O conceito de desenvolvimento sustentável está diretamente ligado à capacidade de os governos — muitas vezes em parceria com a iniciativa privada — atenderem às necessidades crescentes da população sem comprometer as gerações futuras. Os principais avanços dependem da adoção de tecnologias disruptivas, mais eficientes e menos agressivas ao meio ambiente, como a utilização de energias renováveis e investimentos em inteligência artificial, que tendem a tornar os deslocamentos mais rápidos e baratos para os cidadãos.

De acordo com o Índice de Mobilidade das Cidades Sustentáveis, estudo realizado pela consultoria holandesa Arcadis, que avalia o desempenho geral dos sistemas de mobilidade em 100 cidades ao redor do mundo, Hong Kong é considerada atualmente a melhor cidade do mundo em termos de sustentabilidade nos transportes. O top 10, no entanto, é dominado pelas cidades europeias (veja o ranking completo na galeria abaixo).

O levantamento leva em consideração 23 indicadores divididos em três categorias. A primeira é “Pessoas”, que mede itens como o grau de utilização do transporte público pela população, a disponibilidade de horários e a conectividade dos modais. A segunda é “Planeta”, que analisa as emissões, a poluição do ar e a utilização de veículos elétricos e bicicletas. A terceira e última mede os “Aspectos Econômicos”, em que avalia a eficiência das redes, os custos de locomoção, além da qualidade do ambiente de negócios.

BRASIL NO RANKING

Duas cidades brasileiras aparecem entre as 100 melhores do mundo no ranking geral — São Paulo e Rio de Janeiro. A capital paulista aparece na 47ª posição, à frente de Brisbane (48ª) e Sydney (51ª), na Austrália; Chicago (49ª), nos Estados Unidos; e Toronto (54ª), no Canadá. Apesar dos problemas, como o trânsito caótico e os investimentos escassos para a modernização da infraestrutura viária, São Paulo leva vantagem sobre os concorrentes devido à sua ampla malha ferroviária e aos quase 150 quilômetros de corredores exclusivos para ônibus.

Apesar das críticas em relação ao tamanho do metrô de São Paulo, que conta atualmente com cerca de 80 quilômetros de extensão, a cidade também é servida pelas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). No total, a malha ferroviária da cidade tem aproximadamente 350 quilômetros. Já as novas ciclovias e ciclofaixas tiveram pouco impacto nos resultados, já que são utilizadas por apenas 2% da população.

Para o jornalista Leão Serva, autor do livro “Como Viver em São Paulo Sem Carro”, a implementação de mais faixas exclusivas para ônibus, uma solução rápida e relativamente barata, faria com que São Paulo subisse ainda mais neste ranking. “O cidadão está preso no trânsito, vendo o ônibus passar. A partir deste momento, ele começa a considerar a utilização do transporte público”, afirma Serva.

O Rio de Janeiro, por sua vez, ocupa a 63ª posição no ranking da Arcadis, beneficiado principalmente pelos altos investimentos em infraestrutura de transportes urbanos realizados para as Olimpíadas, entre eles o VLT Carioca, trem de superfície que liga a região portuária da cidade ao Aeroporto Santos Dumont e permite a conexão com outros modais, o Corredor Presidente Tancredo de Almeida Neves – Transolímpica e a nova linha de metrô que liga a Barra da Tijuca à Zona Sul.

Impossível deixar de notar, porém, que as piores colocações do Rio de Janeiro (98º) e São Paulo (96º) são justamente no indicador “Aspectos Econômicos”. Isso se deve à deficiência das duas maiores metrópoles brasileiras na promoção de um saudável ambiente de negócio e do crescimento econômico, notadamente no apoio às empresas e aos investimentos municipais, estaduais e federais em transporte.

As 10 mais

1 - Hong Kong
A número 1 do ranking, como não poderia deixar de ser, é uma referência em sustentabilidade e eficiência no transporte público — prova disso é que menos de um quarto da população local possui carro próprio. Somente o metrô de Hong Kong atende cerca de 12,6 milhões de pessoas todos os dias.

2 - Zurique
A maior cidade da Suíça já é muito bem servida de transportes públicos, mas segue investindo constantemente em melhorias. Um dos projetos de mobilidade mais ambiciosos é a construção de uma rede de logística subterrânea que permitirá o transporte de mercadorias através de túneis, liberando espaço na superfície para bicicletas e pedestres.

3 - Paris
Principal destino turístico do mundo, Paris tem investido fortemente em infraestrutura para ciclistas e na ampliação da rede de ferroviária no entorno da cidade. As novas linhas devem transportar até 2 milhões de pessoas todos os dias.

4 - Seul
A capital sul-coreana é considerada uma das cidades mais inteligentes do mundo. Com uma frota de veículos cada vez maior, porém tem investido fortemente em uma infraestrutura para carros autônomos, em sua maioria elétricos, e que poderão ser compartilhados pela população.

5 - Praga
Uma das cidades mais belas do Leste Europeu, Praga é também referência em acessibilidade. Estações de metrô, ônibus e bondes são equipados com plataformas para facilitar a locomoção de pessoas com deficiência, que dessa forma podem circular com certa autonomia.

6 - Viena
Apesar de ser relativamente pequena, Viena possui mais de 850 quilômetros de linhas de transporte público, entre metrô e ônibus, responsáveis por mais de 950 milhões de viagens em 2016. A cidade conta ainda com cerca de 1.300 quilômetros de ciclovias e 120 estações de bicicletas compartilhadas — com direito a primeira hora grátis. 

7 - Londres
A cidade, com tradição de pioneirismo em infraestruturas de mobilidade — foi responsável, por exemplo, pela construção da primeira rede de metrô subterrânea do mundo —, já possui um dos melhores sistemas de transportes da Europa. Agora, quer tornar sua rede ainda mais eficiente através da tecnologia.

8 - Singapura
É considerada uma das cidades mais sustentáveis da Ásia. Atualmente, 66% dos deslocamentos na cidade são feitos por transportes públicos. O governo local, no entanto, tem a meta de elevar esse índice para 75% até 2030.

9 - Estocolmo
A capital sueca está decidida a reduzir ao máximo, ou até mesmo eliminar, as emissões de CO2 em um curto período de tempo. Para isso, vem incentivando a produção de carros elétricos no país e estimulando o compartilhamento de veículos entre seus moradores.

10 - Frankfurt
Um dos principais polos econômicos da Alemanha, Frankfurt aposta na integração entre bicicletas e trens para melhorar a mobilidade na cidade. A prefeitura também vem reduzindo o trânsito através da limitação de novas vagas para estacionamento.