Tamanho da letra:

O fluvial não está acompanhando o ritmo de evolução dos projetos de infraestrutura em outros meios, como rodovias e mobilidade urbana. Um sistema de hidrovias abrangente e consistente elevaria o nível de competitividade do país a outro patamar.

O país possui uma das mais extensas redes fluviais do mundo, com um potencial de cerca de 42 mil quilômetros de rios navegáveis — isso sem contar a sua extensa costa marítima. No entanto, o transporte fluvial de cargas, considerado um meio alternativo de escoamento em locais de difícil acesso ou limitação ambiental para construção de rodovias/ferrovias, ainda é pouco utilizado por aqui, respondendo por menos de 15% da movimentação total de mercadorias no País. 
De acordo com dados do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, foram transportadas cerca de 85 milhões de toneladas de cargas pelas hidrovias brasileiras em 2016. Os Estados Unidos, por exemplo, possuem uma rede de 40 mil quilômetros de hidrovias, por onde são escoados quase 60% da produção agrícola e industrial do país. Os principais rios, como Mississipi, Missouri, Ohio, Tennesse, Illinois e Arkansas, são totalmente navegáveis e amplamente utilizados — mais de 650 milhões de toneladas de cargas são transportadas todos os anos por hidrovias nos EUA. No Brasil, a melhor utilização das hidrovias, em conjunto com os demais meios, como rodovias e ferrovias, aumentaria significativamente a competitividade das exportações brasileiras.

Conheça as principais hidrovias do Brasil:

Mais nova e moderna do país, possui cerca de 1500 quilômetros de extensão e liga Porto Velho, em Rondônia, aos portos de Itacoatiara (AM), Manaus (AM) e Santarém (PA). É usada principalmente para o escoamento de grãos.

Principal rota para o escoamento da produção na região Norte, a hidrovia que liga a Amazônia ao Oceâno Atlântico tem uma movimentação média de 50 milhões de toneladas de cargas ao ano. São mais de 70 terminais e portos ao longo da via.

Com quase 2 mil quilômetros de extensão, a via corta algumas das principais fronteiras agrícolas do país. O sistema possui estruturas de transposição de nível, como as duas eclusas de Tucuruí, com 210 metros de comprimento e 33 metros de largura, e permite a navegação de comboios com até 108 metros de comprimento.

Com 2.354 quilômetros de extensão, a rota é largamente utilizada para o transporte de grãos e algodão cultivados no oeste da Bahia e no sul do Piauí e também para o escoamento da produção de frutas e cana-de-açúcar da região do Vale do São Francisco 

Com 1.250 quilômetros de extensão (450 km no rio Tietê e 800 km no rio Paraná), atravessa os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais e está integrada a um sistema multimodal por onde passa quase a metade do PIB brasileiro. 

A rota corta a América do Sul, desde Cáceres (MT), na fronteira com o Bolívia, até Nova Palmira, já no Uruguai. Alguns trechos da hidrovia permitem a navegação de comboios com 290 metros de comprimento, 48 metros de largura e capacidade para até 24 mil toneladas.