26/02/2018 - Mobilidade

RETOMADA DA ECONOMIA

Estudo aponta retomada da economia brasileira

Índice ABCR confirma aumento do fluxo de veículos leves e pesados nas rodovias — um indicativo de aquecimento industrial e melhora na renda das famílias

 

Um estudo recém divulgado pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) mostra que o fluxo de veículos leves e pesados nas estradas brasileiras aumentou entre janeiro e novembro de 2017. De acordo com o Índice ABCR, produzido em parceria com a Tendências Consultoria, o crescimento no movimento de veículos leves foi de 2,1%, enquanto o de pesados subiu 1,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Se compararmos apenas os números do mês de novembro, o aumento é ainda mais expressivo: 2,4% nos leves e 4,2% entre os pesados ante o volume de 2016.

Os números consolidados do ano devem ser apresentados somente em janeiro, mas a expectativa é de que o Índice ABCR feche 2017 uma alta moderada, em um claro sinal de reaquecimento da economia no Brasil. “Este é um indicativo de aumento do PIB. Embora o Índice ABCR e o PIB não caminhem juntos, eles têm trajetorias bem semelhantes. Devemos ter uma melhora na economia brasileira após dois anos de queda significativa”, afirma Thiago Xavier, analista de Macroeconomia e Política da Tendências Consultoria.

O economista explica que existe uma forte relação entre o volume de tráfego de veículos, tanto leves quanto pesados, e a economia — o cálculo do PIB, inclusive, utiliza alguns dos números da ABCR. Segundo ele, como a logística no Brasil está muito baseada no transporte rodoviário, o aumento no fluxo de caminhões é um termômetro da evolução industrial, seja porque existem insumos chegando às indústrias ou porque a produção nas fábricas já esteja sendo escoada.

Já entre os veículos leves, o crescimento está associado ao aumento da renda das famílias. “Quando a renda disponível é maior ou não está tão comprometida com dívidas, as pessoas tendem a destinar mais recursos para o lazer. Uma situação financeira melhor permite que essas famílias façam viagens para a praia ou visitem parentes em outras cidades, por exemplo”, diz Xavier.

Os gráficos abaixo mostram a evolução do tráfego de veículos leves e pesados desde 1999. É possível notar que o crescimento no período foi expressivo em ambos os casos, mas que o setor de transportes é mais impactado em tempos de crise, com quedas acentuadas observadas entre 2008 e 2009 e de 2013 a 2016.